11.9.08

Saraí e as origens

Estava eu de volta das minhas lições e a consultar o evangelista Marcos (o meu orago), como se recomenda no manual, quando me veio à ideia uma consulta às origens, ou seja, uma consulta ao rolo dos cinco livros, o Pentateuco, e que ao primeiro ficou convencionado chamar-se Génesis como, penso, todos sabemos. Sendo o primeiro, não quer dizer que terá sido o que foi escrito antes de todos os outros.
A propósito de origens, creio que os irmãos na fé, tal como eu, não são nada apologistas das teorias das origens da Criação que por aí abundam, desde, nomeadamente, no que se refere ao mundo terreno, como ao ser humano. Este, embora no contexto animal parece que me sugere, segundo essas teorias científicas, que terá sido um tanto irracional antes de se tornar racional.
Tratando-se de ciência, preocupei-me em rebuscar de um livro enciclopédico que tenho em casa qualquer coisa que me dissesse mais sobre o homem. Então respigo apenas o que segue, por uma questão de síntese:
“Os macacos antropóides e o homem desenvolveram-se a partir de um mesmo tronco, mas de maneira diferente. Os antropóides, como o gorila e o chimpanzé, descendem do Driopithecus, ao passo que o homem tem como antepassado o Ramapithecus. O Australopithecus já fabricava rudimentares utensílios de pedra, enquanto o homem de Pequim aprendeu a utilizar o fogo. O homem de Neanderthal caçava com lança e enterrava os seus mortos. Com o Cro-Magnos, autor das famosas pinturas rupestres encontradas na Europa, chegou-se por fim ao homem actual, o Homo sapiens.”
Respeito, admiro e acredito na ciência que o homem desenvolve, como ser racional, mas, neste caso, deixem-me em paz.
A propósito, é caso para perguntar quem é que criou então o “tronco”, os “antropóides” e os “Ramapithecus”. Como na galinha, quem é que nasceu primeiro; o ovo ou galinha? Mas não era a isto ao que vinha.
Após uma leitura de alguns pormenores iniciais e explicativos sobre o livro do Génesis, dou comigo a ler o final do capítulo 11, versículo 31 e, confesso, que, no momento, não me lembrava do nome correcto da mulher de Abraão (sei que é Sara) mas a Bíblia (pelo menos uma das últimas edições e traduções da Difusora Bíblica, mais conhecida pela Bíblia dos Capuchinhos), nesse versículo chama-lhe Sarai.
Como é natural associei de imediato o nome à autora deste blogue a quem a mesma, quando pode, lá vai dando alguma atenção, rigor e carinho, como costuma dizer, quando se gosta daquilo que se faz, com sobriedade, seriedade e responsabilidade.
O ideal que Sarai abraçou e que comporta na sua plenitude, não me é estranho. A inteligência que a envolve, quer na actividade que vocacionalmente seguiu e desenvolve, quer nos aspectos relacionados com a sua vida, não a afastaram do Caminho, Verdade e Vida. Utilizando uma linguagem mais simples, diremos que a sua ligação à ciência não a afastou do ideal que abraçou. E, na minha opinião, em nada são contraditórios.
Penso até que agora é moda colocar-se em evidência alguma ciência (que se aprende e se desenvolve) em detrimento de ideais, nomeadamente, como já se percebeu, o ideal Cristão. Há uma grande franja de pessoas da área científica que acham que a ciência supera e responde (se não a todos) a um vasto conjunto de problemas da vida. Se aceito que isto é verdade, terei de afirmar que não é a verdade toda.
A opinião que aqui deixo tem a ver apenas com a inspiração de Sara (mulher de Abraão) e a autora e responsável do blogue, bem como o cumprimento de um compromisso assumido. A colaboração. Acabo, no entanto, por verificar que desdobrei aquilo que queria em duas partes distintas. Corremos o risco da banalidade e do conteúdo se tornar fútil, passe a imodéstia.
É que inventar, simbolizar, desenvolver e formar histórias de vida como as que aqui se podem ler, não tenho jeito…

JoseMar
(...um contributo muito importante de um paimigo a quem muito agradeço e que com muito gosto publico ;))